Primeiro post em Português!

Recentemente fui a um TEDx em Aveiro e uma das talks inspirou-me particularmente. Nessa talk falou-se na aversão que, especialmente os portugueses, têm à diferença, ao risco e às ideias novas… A verdade é que isso faz parte do nosso quotidiano: quantas vezes enquanto miúdos não gozamos o penteado estranho da rapariga da Turma B? Quantas vezes não criticamos o nosso colega de Faculdade por causa das suas ideias completamente absurdas? Quantas vezes não fomos mauzinhos para aquela rapariga que se vestia e agia de forma diferente e que se limitava a ser ela própria? Quantas vezes não deitamos abaixo o plano louco de um amigo? Quantas vezes engolimos a seco uma ideia genial porque achamos que o nosso chefe vai pensar o pior de nós?

Vi isto a acontecer imensas vezes e muitas vezes apontei dedos, mas cá se fazem, cá se pagam… eu também fui alvo de piadas e de conversas abafadas de corredor, por causa de projetos, atitudes ou ideias mais “irreverentes”.  Além de ser uma prática um tanto quanto irritante, criticar de forma pejorativa, é uma prática que pode ter consequências graves na segurança das pessoas em relação às suas ideias e acções. Graças a ensinamentos da profissão e à educação que tive em casa, penso 2 vezes antes de abrir a boca para tecer um comentário negativo… os tetos de vidro são perigosos.

Talvez por sermos um país tão habituado a fortes costumes e longas tradições e talvez por sermos um país tão isolado, a nossa linha de pensamento é especialmente avessa a inovações, esquisitices e coisas arriscadas… Talvez seja por isso que os nosso empreendedores fogem a sete pés de Portugal, talvez seja por isso que sejamos tão infelizes: porque a nossa sociedade não aceita o fracasso, o erro e, sejamos francos, odiamos ovelhas negras! Vivemos num constante medo de falhar, de não sermos aceites, de sermos alvo de chacota, de não nos enquadrarmos no perfeito retrato que é a “família portuguesa”.

Um bom exemplo do que estou a tentar dizer, é a conhecida história dos Macacos e das bananas: o macaco que vai mais alto para conseguir as bananas para o bem de todos, é espancado pelos outros, porque levaram com um jacto de água fria após o feito do colega macaco. Isto repete-se tantas vezes, que os macacos deixam de tentar chegar às bananas com medo de serem atacados. As gerações de macacos são renovadas e não levam mais com jactos de água fria excepto daquela única vez há tanto tempo. No entanto, as gerações novas repetem as mesmas acções das gerações passadas e continuam instintivamente a impedir que alguém chegue às bananas. Moral da história: ninguém chega às bananas, porque sim!

Atenção que com isto, não quero dizer que não façamos críticas, avaliações e julgamentos, no entanto, estes devem ser bem fundamentados e bem contextualizados. O ser-humano deve avaliar acções e comportamentos e exercitar a prática da crítica construtiva, não é por isso que devemos deixar de ter noções de limites. É preciso haver um Equilíbrio e ter a capacidade de avaliar cada situação, cada pessoa, cada comportamento e as repercurssões que as nossas acções terão nesses mesmos sujeitos. Mentes abertas, mas conscientes é o que precisamos. Se tivermos a boa-vontade de aceitar a diferença, o absurdo e o que, à primeira vista, nos parece maluquice, talvez essa boa-vontade nos conceda o tempo necessário para julgarmos algo correctamente depois de vermos a sua evolução no tempo… Quem sabe a resposta para a crise, para o fomento do empreendedorismo, para sermos um pouquinho mais felizes não resida aqui?

Vou deixar-vos com a talk que inspirou o post: Esta TV não é para ideias do genial Luís Filipe Borges (última da página).

Está um pescador de caranguejos feliz da vida a pescar os ditos caranguejos e a metê-los num balde. Chega um amigo e espantado questiona o porquê de ele colocar os caranguejos num balde, sem sequer os cobrir para não fugirem! Calmamente o pescador responde: tenha lá calma amigo! São caranguejos Portugueses! Mal um vê que o outro está a subir para escapar, puxam-no imediatamente pra baixo!

Advertisements