Infelizmente, em Portugal, as empresas e patrões ainda são incapazes de ouvir as palavras “férias” e “pausa” sem entrarem em pânico.

Hoje enquanto vasculhava algumas TED Talks, descobri uma talk bastante interessante de um dos meus designers favoritos: Stefan Sagmeister.

Neste discurso, ele fala sobre as licenças sabáticas, as pausas e o benefício que estas podem trazer para os trabalhadores e respectivas empresas. Isto é especialmente verdade em indústrias que lidam e que precisam constantemente de criatividade e inovação.

Um trabalho das 09:00 às 17:00 pode ser completamente desgastante e bestificante, especialmente, quando lidamos diariamente com as mesmas coisas, mesmas pessoas e mesmos assuntos. O nosso foco e visão fica encaixilhado num pequeno mundo e embora sejamos cada vez mais rápidos e eficazes a resolver aquelas tarefas específicas, o potencial incrível do nosso cérebro vai definhando… Além de gastarmos as nossas reservas energéticas em acordar muito cedo, deitar muito tarde e obedecer a um ritmo alucinante de trabalho, o nosso cérebro vai ficando acorrentado às rotinas: deixamos de ter tempo para ler livros, ir a eventos sobre as áreas que os interessam, “procrastinar” na web e encontrar maravilhosos mundos novos, viajar e ver culturas completamente novas. Basicamente deixamos de VER, de prestar ATENÇÃO ao mundo que está para além do trabalho e que tanta inspiração, motivação, capacidade e conhecimento nos pode oferecer.

Stop! faça uma pausa consigo e veja o mundo” ao permitir e até fomentar esta atitude, as empresas estão realmente a perder horas de trabalho, mas seriam essas 8h horas de trabalho mais valiosas do que apenas uma hora de um funcionário que volte completamente inspirado e motivado? a minha aposta é que não… As empresas e os poderosos chefões olham para a quantidade e não para a qualidade e são incapazes de avaliar o lucro, a relação “”qualidade vs preço” desta troca.

Mente Retrógrada: 3 meses de férias = perda de 528 horas de trabalho aprox = prejuízo || Mente Assertiva: 3 meses de férias = perda de 528 horas de trabalho forçado improdutivo = 9 meses de trabalho motivado, inspirado e rentável =  lucro

A verdade é que as pausas, principalmente, se forem intercaladas, “refrescam” o cérebro, permitem ao corpo descansar e o trabalhador vem rejuvenescido, com mais vontade de trabalhar e com novas ideias porque tirou tempo para ver as coisas. O trabalhador vem mais satisfeito com a sua empresa, porque se preocupam com ele e dão-lhe uma coisa que toda a gente diz que é equivalente a dinheiro, TEMPO! As grandes empresas fazem isso: Google, 3M… talvez sejam por isso que sejam GRANDES empresas.

Acho que é uma coisa tão óbvia, tão natural que me surpreende como é que o sistema continua a rejeitar isto. Todos nós já experimentamos mais que uma vez ficar acordados mais de 24h seguidas ou para acabar um trabalho ou para estudar para um exame. E quantas vezes nos apercebemos que ao fim dessas horas só fazemos porcaria e dizemos asneiras? quantas vezes batemos com a cabeça na parede a dizer, devia ter dormido as 8h e tinha feito mais e melhores coisas?

Como o Stefan referiu: “this system is quite literally killing all of us with stress”. De notar que ele é o génio por detrás do logo da Casa da Música no Porto, um logo elogiado e reconhecido internacionalmente, isto, depois de 1 ano de licença sabática. Talvez sem esse ano de pausa, não teríamos um resultado tão bom.

“Tempo é dinheiro”… pois é… e se as empresas aprendessem a distribuir melhor o tempo dos seus funcionários, talvez aprendessem a optimizar o lucro. Mas quem é que quer ser uma Google?

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